Guia · Custo de contratar mal
Quanto custa uma má contratação e como calculá-lo na sua empresa
Sabe que aquela contratação que não resultou saiu cara, mas não sabe quanto. Damos-lhe um método para o calcular com os seus próprios números.
Nas reuniões com empresas, a conversa sobre uma má contratação quase nunca começa com a palavra «custo». Começa com um «não correu bem», com um «tivemos de recomeçar» ou com um silêncio incómodo quando perguntamos o que aconteceu à pessoa que antes ocupava o cargo. Do outro lado da mesa vemos o mesmo vezes sem conta: a empresa sabe que aquilo lhe saiu caro, mas não sabe quanto. E o que não se mede não se corrige. Este guia não lhe vai dar um número mágico. Vai dar-lhe um método para o calcular com os seus próprios dados.
Porque não lhe damos um número
Circulam muitos números sobre o que custa um erro de contratação. Quase nenhum se aplica à sua empresa. Não custa o mesmo errar num perfil administrativo e numa direção comercial, nem numa PME pequena e num grupo com várias sedes. Por isso preferimos que faça a conta por si. Vai levar-lhe uma tarde e terá um número que é realmente seu, defensável perante a sua comissão executiva.
Antes de começar, uma definição útil: falamos de má contratação quando a pessoa sai da empresa antes do previsto, ou quando fica mas não rende o que o cargo exige. O segundo caso costuma ser o mais caro e o menos visível, porque demora a ser reconhecido.
As quatro camadas do custo
Para o calcular, separe o custo em quatro camadas. Algumas são fáceis de somar; outras exigem uma estimativa razoável. Não há problema: o importante é que a estimativa seja sua e que a consiga explicar.
1. Custo direto da contratação
É o que gastou para trazer essa pessoa. Reúna:
- Anúncios, portais de emprego e ferramentas de pesquisa.
- Honorários da consultora, se a houve.
- Horas internas dedicadas ao processo: rever currículos, entrevistar, coordenar agendas. Multiplique as horas de cada pessoa envolvida pelo seu custo por hora.
- Testes, avaliações e deslocações.
2. Custo da pessoa enquanto esteve
Some o salário bruto, as contribuições a cargo da empresa e os benefícios durante o tempo em que esteve. Acrescente a formação e o onboarding: horas da equipa que a ensinou, cursos, equipamentos e licenças. Não se trata de dizer que esse dinheiro se perdeu por inteiro. Trata-se de saber quanto investiu em alguém que não chegou a devolver esse investimento.
3. Custo da saída
Se a relação terminou, pode haver custos associados à cessação do contrato. Cada caso é diferente e depende do tipo de contrato, da causa e da antiguidade, por isso aqui só lhe damos uma orientação geral: peça o valor ao seu consultor laboral ou ao seu advogado, que são quem o pode calcular com rigor. Some também as horas da direção e de RH dedicadas a gerir a saída.
4. Custo de oportunidade e custo oculto
É a camada maior e a que quase ninguém mede. Inclui:
- Produtividade perdida: a diferença entre o que o cargo devia gerar e o que gerou.
- Tempo de vaga: os meses sem ninguém, ou sem ninguém eficaz, na posição, antes e depois do erro.
- Impacto na equipa: horas extra de colegas que taparam buracos, desgaste, saídas que se precipitaram.
- Impacto nos clientes: projetos atrasados, oportunidades comerciais que não se fecharam, reclamações.
- Tempo da direção: as horas que dedicou, com outros responsáveis, a supervisionar, corrigir e decidir.
Revê-se nesta situação?
Se uma contratação recente não correu como esperava, ou se receia que a próxima também não corra, falemos. Analisamos a sua vaga com o Héctor numa reunião sem custos.
Marcar reunião com o HéctorComo estimar o que não está numa fatura
A quarta camada dá vertigens porque não aparece na contabilidade. Três formas simples de a estimar:
- Pelos objetivos do cargo. Se o cargo tinha objetivos mensuráveis (vendas, entregas, projetos), compare o previsto com o alcançado durante o período. A diferença, traduzida em margem, é uma aproximação do custo de oportunidade.
- Pelas horas absorvidas. Peça aos responsáveis que estimem quantas horas por semana a equipa dedicou a cobrir ou corrigir o trabalho dessa pessoa. Multiplique pelas semanas e pelo custo por hora.
- Pelo tempo sem ocupação. Estime o valor de um mês com o cargo bem ocupado e multiplique-o pelos meses em que não o esteve.
Use estimativas prudentes. Se hesitar entre dois valores, escolha o mais baixo. Um número conservador que consegue defender convence mais do que um inflacionado em que ninguém acredita.
Um modelo para fazer a conta
Abra uma folha de cálculo com estas linhas e preencha cada uma com os seus dados:
- Custo direto do processo de recrutamento.
- Salário, contribuições e benefícios durante a permanência.
- Formação, onboarding e meios.
- Custo da saída, com o valor do seu consultor laboral.
- Horas da direção e de RH dedicadas ao problema.
- Produtividade perdida ou objetivos não cumpridos.
- Horas absorvidas pela equipa.
- Custo de um novo processo para substituir a pessoa.
A última linha é muitas vezes esquecida: uma má contratação obriga quase sempre a repetir o processo. Quando terminar, separe a soma em duas colunas: custo visível (linhas 1 a 4) e custo oculto (linhas 5 a 8). Essa comparação costuma ser o mais revelador do exercício, porque mostra onde está o dinheiro que não vê.
Onde nasce o erro
Calcular o custo serve para uma coisa: decidir onde investir para que não se repita. Na nossa experiência, os erros de contratação raramente resultam de uma única falha. Costumam nascer num destes pontos:
- Um perfil mal definido. Descreve-se o cargo por tarefas e não pelos resultados que deve alcançar nem pelas competências que exige.
- Pressa. A vaga aperta e escolhe-se o «menos mau» dos que há.
- Entrevistas sem estrutura. Cada entrevistador pergunta o que lhe vem à cabeça e a decisão acaba por depender da impressão pessoal.
- Olha-se para o currículo e não para o comportamento. A experiência anterior diz onde alguém esteve, não como age perante situações concretas.
- Uma integração descuidada. Uma boa escolha pode correr mal se os primeiros meses não forem acompanhados.
O que fazemos na Crearte para reduzir o risco
Não lhe podemos prometer que nunca haverá um erro, porque ninguém pode. Podemos, sim, explicar-lhe como trabalhamos para que a decisão assente em evidências. O Método CREARTE apoia-se no match por competências: entrevistas STAR e CAR e análise de incidentes críticos. Cada candidato chega com um resumo de encaixe face às funções do cargo e às competências pessoais e técnicas que definimos consigo. Trabalha com interlocutores seniores e com total transparência sobre o processo: sabe em que ponto está e porque recomendamos cada pessoa.
Se quiser aplicar esta lógica nas suas próprias entrevistas, explicamo-la passo a passo no nosso guia de entrevista por competências. Se preferir que sejamos nós a avaliar os seus finalistas, o nosso serviço de avaliação de candidatos foi pensado para isso. E para que a pessoa contratada fique depois de entrar, veja também os primeiros 90 dias.
Do número à decisão
Quando tiver o seu número, compare-o com o que custaria fazer bem o próximo processo: mais tempo para definir o perfil, entrevistas estruturadas, uma avaliação externa ou apoio especializado em recrutamento e seleção. Não se trata de gastar mais, mas de gastar onde o risco é maior. Para um cargo-chave, o custo de errar justifica quase sempre dedicar mais cuidado à escolha.
Se quiser, fazemos juntos este exercício com a sua próxima vaga e vemos que parte do risco se pode reduzir antes de começar a procurar.
Perguntas frequentes
Quanto custa uma má contratação?
Não há um número válido para todas as empresas: depende do cargo, do tempo que a pessoa esteve e do impacto na equipa e nos clientes. O mais fiável é calculá-lo com os seus próprios dados, somando custo direto, custo de permanência, custo de saída e custo oculto.
O que se considera uma má contratação?
Quando a pessoa sai antes do previsto ou fica sem render o que o cargo exige. O segundo caso costuma ser o mais caro, porque demora mais a ser detetado.
Como evitar uma má contratação?
Definindo o perfil por resultados e competências, fazendo entrevistas estruturadas que procurem comportamentos concretos e acompanhando a integração durante os primeiros meses.
Quanto custa despedir alguém acabado de contratar?
Depende do tipo de contrato, da causa e da antiguidade. Para um valor exato, consulte o seu consultor laboral ou um advogado.